No espaço pós-moderno já falamos sobre a moda e o consumo, que atuam em conjunto para o mercado capitalista, mas pouco falamos sobre o espaço social dentro desse cenário. Acontece que a participação social nos fenômenos pós-modernos tem pouca expressividade simplesmente, porque a sociedade assiste passivamente as mudanças, mas não quer dizer que não haja mobilização dos grupos. Como ocorre essa movimentação social é o que veremos neste post.
Muitos autores definem o tempo pós-moderno como marcado por uma degradação política e descrenças das instituições sociais. Termos como “todo político é ladrão”, “eu detesto política” e “o meu país não vai pra frente” se tornaram bem comuns no nosso cotidiano e os vemos sendo reproduzidos constantemente. A partir dessa linha, Nestor Canclini, afirma que algumas perguntas próprias do cidadão, passaram a ser respondidas de outras formas.
“A que lugar pertenço?”, “Que direitos tenho?”, “Como posso me informar?”, “Quem representa os meus interesses?”, esses e outros questionamentos direcionaram-se para o consumo (olha o vilão aí de novo) de bens e mídias de massa, então, ideologia política virou também, mercadoria. Esse fato, segundo Canclini, contribuiu para que o indivíduo perdesse sua identidade cultural, baseada em aspectos históricos, passando a constituir a identidade do indivíduo, os objetos por ele adquiridos.
O fenômeno da Globalização, com as empresas transnacionais agravam a situação. Isso porque, com essas instituições sem nacionalidade ou compromisso com o social dentro de uma nação, limita-se o poder dos sindicatos que não tem a quem recorrer para defender os seus interesses.
Com as nações globalizadas, houve também uma internacionalização da cultura, transformando as manifestações sociais em mercadorias, exploradas e exaltadas conforme as necessidades dos mercados. A cultura submeteu-se ao fenômeno da obsolescência e, tanto ela quanto as decisões políticas são tomadas conforme as seduções imediatistas do consumo e do livre comércio. Desse modo, a política ficou desacreditada para os cidadãos e o MERCADO apresentou-se como mais eficaz para organizar as sociedades e ainda trouxe a política para seus tentáculos.
Agora deixo a discussão: como reverter esse processo? Como resgatar os aspectos históricos da cultura para a valorização da cultura nacional e tornar o cidadão mais atuante? Bom, retornar as velhas estruturas só mesmo para idealistas, porque a pós-modernidade já bateu na nossa porta, pediu licença e hoje já pega a cerveja na geladeira e controla o nosso controle remoto.
Proponho aqui que conciliemos o consumo com a cidadania eliminamos a crença de que consumir é um ato irracional movido pela ansiedades dos desejos. Exemplos bons temos na Europa, onde os produtos chineses, de baixo custo em função da exploração excessiva do trabalhador chinês, enfrentam dificuldades para penetrarem no mercado, sem falar das políticas protecionistas desses países. Claro, protecionismo num mercado globalizado não é visto com bons olhos, mas mobilizações por melhorias sociais sim, e tem empresas que começaram a rever suas estratégias para o politica e ecologicamente correto. E você, já pensou nisso? Não deixe que o mercado, mais uma vez, responda essa pergunta.




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